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Biografia

A época em que tudo aconteceu não faz diferença. Hoje em dia ele é um fantasma e isso é o que importa saber. Habita o Castelo de Beauxbatons, mais precisamente as dependências da Juste, e por isso foi nomeado fantasma da casa dos justos. Pouca coisa era conhecida sobre seu passado. Em verdade, até o final das pesquisas realizadas pelo Ministério da Magia Francês – que vem nos últimos anos cadastrando os fantasmas existentes para melhor controle – sabia-se apenas seu nome e suas inúmeras fobias. Algo incomum para um fantasma. Mas nada na vida – e morte – de Édouard Charon pode ser considerado normal.

Édouard foi o último de sete filhos tidos pelo casal Charon e o único que não possuía poderes bruxos despertos. Era um aborto-mágico e assim foi tratado por seus familiares e amigos desde pequeno. Acreditem quando digo que não foi uma vida fácil. Ser o único aborto em uma renomada e influente família bruxa foi um pesadelo que atormentou e atormenta Édouard até os dias atuais – se é que fantasmas dormem. Além disso foi o motivo pelo qual faleceu.

Juste ghost
Todos seus irmãos e irmãs estudaram na Academia de Magia de Beauxbatons, sendo alunos da Juste, sem exceção. Nenhum deles foi um aluno exemplar que se destacou em alguma atividade específica, mas o simples fato de terem estudado numa escola bruxa incomodava Édouard profundamente. Ele realizou, incentivado por seus pais, testes e mais teste de aptidão mágica, sem sucesso. E a cada teste – e reprovação – adquiriu uma fobia. A princípio ninguém notou. Eram fobias comuns como medo de altura e de multidões. Contudo, após anos de fracassos sucessivos, Édouard Charon tornou-se uma pessoa obsessivo-compulsiva. Ele desenvolveu medo de praticamente tudo: de germes, de ser tocado e até de leite. Sua condição psicológica lhe custou o sobrenome da família e impôs grandes desafios a seu dia-a-dia e, principalmente, na árdua tarefa de tornar-se um bruxo. Ele fez terapia, mas foram poucos os sinais de progresso na recuperação de sua disfunção psicológica.

Os anos passaram e Édouard jamais desistiu de tornar-se um bruxo como os demais membros da família que o renegou. Esforçou-se e conseguiu um emprego no pequeno vilarejo bruxo que fazia fronteira com os terrenos de Beauxbatons. Estava próximo de tudo o que sempre sonhou, mas apenas conviver com os alunos da academia não era o suficiente. Ele queria entrar no castelo e, ao menor por uma noite, dormir nas dependências da Juste. Elaborou um plano mirabolante e invadiu o castelo durante uma entrega especial de um pedido feito por um dos professores. Manteve-se escondido em seu interior por semanas sem ser descoberto, caminhando por passagens secretas que nem mesmo o zelador do castelo conhecia.

Foi numa noite aparentemente comum que conseguiu, após aproximadamente um mês, adentrar nas dependências da Juste. Deslumbrado com a conquista e disposto a jamais sair dali realizou o único feitiço de toda sua vida, revelando ser, no final das contas, não um aborto-mágico, mas sim apenas um bruxo de poder desperto tardio. Ele queria apenas dormir profundamente, para não ser acordado por nenhum aluno intrometido no meio da noite, e concluir seu objetivo de vida: passar uma noite no dormitório masculino da Juste. Além do mais, o nervosismo era tamanho por estar tão perto de realizar seu sonho que Édouard sabia que não conseguiria dormir sem ajuda. Infelizmente a inexperiência na área fez com que o simples feitiço de sono o levasse a morte.

Quando acordou – não se sabe se ainda na mesma noite ou já na manhã do dia seguinte – Édouard já era um fantasma. Não é sabido também se aceitou sua morte instantaneamente e sem maiores problemas, mas existe a certeza de que a alegria por poder permanecer eternamente em Beauxbatons fazendo parte da Juste – ainda que de uma forma bem peculiar e diferente da desejada – o reconfortou. Desde então Édouard atormenta todas as gerações de alunos com suas fobias e manias incontáveis.

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