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Biografia

A família Beauchamp fora bem vista pela comunidade mágica até meados do século XVII, quando ainda eram honrados, ricos, possuíam uma posição social de automática atração de inveja, e – o que eles mais prezavam em suas vidas luxuosas e altamente niveladas – tinham o sangue puro. Totalmente mágico. E ainda, gerações de filhos cada vez mais talentosos. Desde a fundação da Escola de Magia deBeauxbatons, os bruxos dessa família vinham caindo na Perséverér e deixando suas marcas na instituição das mais diversas formas – fosse no quadribol, nos N.I.E.M’s ou mesmo nas competições do Torneio Tribruxo. Como a senhora Paule, a mais velha da família costumava dizer, “defeitos não são acetáveis em nossa árvore genealógica”.

Os netos de Paule, e filhos de Arnaud e Astrid eram de uma união (quase) invejável. Quase, porque um deles, o mais novo, chamado Jean, trouxera decepção atrás de decepção desde sua inserção no mundo mágico. Ao chegar na Escola, todos se escandalizaram quando o garoto foi mandado para uma casa totalmente diferente do resto da família: a Noble. Os pais, a cada dia que passava, amargaram a vergonha de um filho sem grandes
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talentos mágicos, apreciador de Criaturas Mágicas exóticas e que tinha grande amizade com trouxas. Aos poucos, ele se tornara a ovelha desgarrada da família; os pais acabaram por satisfazer-se com apenas três filhos, aqueles que, particularmente, lhes deixaram muito orgulhosos quando saíram da Escola para trabalhar automaticamente no Ministério da Magia. Jean, assim que se formou, não deu mais notícias e casou-se com a mulher de sua vida, Sophie Dalemberot; filha de trouxas e órfã. Dalemberot era uma bruxa vidente, e tornara-se nômade, juntamente com seu amado esposo. Assim, os dois passaram a vida a percorrer o país; ele buscando conhecer a fundo as criaturas mágicas, e ela... bem, não era das mais ocupadas, mas divertia-se muito fazendo consultas sobre o futuro vez ou outra nas cidades em que paravam. Um casal feliz; parecia que não havia mais ninguém naquele mundo. E se houvesse, não conseguiria ser tão feliz quanto eles!

No fim do primeiro ano de casamento - e Jean continuava sem contato com a família -, alegria do casal aumentou exponencialmente com a notícia da gravidez de Sophie. Nada poderia ter sido mais gratificante, mesmo que o fato de gerar uma criança significasse o início de um lento processo de sedentarização na cidade de ... enfim, a mais próxima da estrada naquele momento. Foi para Nantes que o casal rumou, à procura de uma casa onde pudessem criar sua criança nos anos conseguintes. Momentaneamente, a vida aventureira teria de ser adiada.

Nove meses depois, instalados numa pequena fazenda, a criança finalmente veio ao mundo. Uma garota linda, de olhos parados e lentos, loiríssima como a mãe. Não deixavam de ser engraçados os momentos em que os dois estavam ‘corujando’ a recém-chegada; Sophie não parava de dizer que as parcas a informavam da gravidez já havia muito tempo e ela só não contara para não estragar a surpresa, enquanto Jean brincava com a filha, planejava ensinar a garota como ser uma verdadeira ‘amante dos animais e da natureza’.

Os atrapalhados Jean e Sophie demoraram meses para registrar a garota, pois a escolha do nome fora realmente difícil. Por fim, o nome escolhido foi Eléonore; pelo menos agora, referir-se a criança ficaria mais fácil. Sophie passava o dia todo na fazenda, habituando-se aos serviços domésticos. Jean, quando não estava plantando mandrágoras no terreno, estava na cidade vendendo-as. Eléonore estava sendo criada num ambiente muito estranho, com pais realmente excêntricos. Pelo menos, a alegria e espírito fraterno não estavam nenhum pouco em falta.

Como esperado, os anos se passaram, Eléonore cresceu e nada atrapalhara a alegria da família. Os pais ‘babões’ já começavam a ensinar para sua filha coisas básicas. Jean ocupava-se com a alfabetização e contato com a natureza; já Sophie ensinava pequenos macetes do futuro com o tarô e vez ou outra, passava seus segredos de cozinha para a filha. Dessa forma, a garota adquiria uma personalidade que orgulhava os pais. Menina alegre, que sorria o tempo todo, jamais deixava de agradar os pais. A teoria de que filhos únicos são, necessariamente, mimados, não valia para Eléonore; por vezes, a condição em que a família vivia lhe limitara os luxos e coibira expectativas de receber grandes presentes em seus aniversários; aniversários esses, que eram comemorados apenas em três pessoas, sem família, amigos ou vizinhos afim de meter o dedo no bolo.

Com oito anos, Eléonore já apresentava pequenos sinais de magia. Certo dia, seu cabelo tornara-se inexplicavelmente pretos. Sua mãe já não deixava a garota cozinha, visto que Eléonore colocara fogo sem querer nas panelas incontáveis vezes. Mas esses estranhos acontecimentos não eram totalmente aborrecedores. O pai e a mãe já vislumbravam, dali uns anos, a garota matriculada na Escola de MagiaBeauxbatons; pelo tanto de vezes que os pais comentavam sobre instituição, a jovem sentia cada vez mais desejo de aprender magia.

Aos 11 anos, a garota fora matriculada para o curso elementar de magia, para que estudasse os próximos sete anos em Beauxbatons. Seu pai e sua mãe cuidaram pessoalmente para que tudo fosse corretamente encaminhado; a verdade é que Sophie e Jean estavam mais empolgados do que a própria filha. Mas nisso tudo, havia um problema que eles ainda não sabiam como resolver: como pagar os materiais escolares? Um simples livro de ervas mágicas seria suficiente para acabar com todo o dinheiro que possuíam. A expectativa de comprar no mínimo três uniformes ao ano deprimia tanto ao pai, quanto à mãe. Nenhum dos dois tinha trabalho fixo. Precisariam arranjar qualquer fonte de dinheiro num intervalo de tempo mais do que curto... Mas, como? Sophie teve uma idéia, entretanto não sabia se Jean iria concordar. Então, a mulher arriscou ir sozinha à Escola, exatamente um mês antes da filha embarcar no navio que a levaria para o primeiro ano letivo em Beauxbatons.

- Foi fazer o quê lá? – perguntou o marido incrédulo, para uma Sophie super sorridente e descontraída. Sophie mandou-o sentar e contou tudo a ele... disse que saíra cedo de casa para ir a Beauxbatons e pedir o cargo de professora de Adivinhação, o qual fora anunciado no jornal da manhã. E o melhor de tudo é que o diretor da época gostara muito de sua entrevista e a contratara. Beauxbatons oferecera um salário razoável, acomodações para ela, seu marido e filha, e ainda todos os materiais de Eléonore pagos pela instituição. Ao receber a notícia, Jean não ficou muito feliz, afinal, sua mulher conseguira tudo sozinha, sem sua ajuda e isso feria seu ego enquanto ‘cabeça da família’. Mesmo assim, ele teve de reconhecer o ato de sua esposa como nobre. Eléonore, que já tinha idade suficiente para entender que fora extremamente decente da parte de sua mãe... esta era de fato, uma mulher em que poderia se espelhar.

Os primeiros anos de Eléonore como aluna de Beauxbatons foram muito bem, obrigado. Ela tinha aulas de adivinhação com sua mãe, mas o talento não havia sido herdado, por assim dizer. Muito menos a paciência com criaturas mágicas que seu pai apresentava. Seu grande sucesso veio em Feitiços, Ilusões e Transformações. Todos os anos ela obtinha notas invejáveis nestas três matérias, e passava com razoável louvor nas outras. Já no quarto ano, a garota virara monitora de sua casa: a Noble, cargo que não deixaria tão cedo. Todas as férias, sua mãe guardava um pouco dos salários de Beauxbatons e seu pai, de seus lucros de sua nova loja de animais mágicos. Faziam pequenas viagens; certa vez, os três haviam passado algumas semanas em Nantes para relembrar o tempo em que viviam na fazenda e no quinto ano, conseguiram ficar quase todas as férias no sul da Ilha de Beauxbatons. Mesmo que as viagens a agradassem, Eléonore não deixava de ficar muito sentida em deixar Beauxbatons. Era sua casa sob todos os ângulos e não havia lugar em que conseguia se sentir melhor. Fizera amizade com todos. Era mais popular que moeda de um galeão e queridíssima até mesmo pelo Professor-Chefe da Perséverér; era capitã do time de quadribol. Lá arranjara até um namorado... mas essa parte da história não era tão bem vista assim.

Zacarie era totalmente o oposto da jovem Eléonore. Isso inclui estar na casa inimiga: a Perséverér. Todos viviam dizendo a ela que não enxergava o mau-caráter que o garoto apresentava ou o fato de que ela merecia alguém melhor. Entretanto, não é novidade alguma que, quando estamos realmente apaixonados, não enxergamos defeitos da pessoa amada. O amor cegara a adorável garota por um adolescente que não dava muita bola para ela, mesmo quando o namoro dos dois estava no ‘auge’.

Na passagem do quinto para o sexto ano, enquanto Eléonore passava suas férias em Beauxbatons junto com sua mãe (seu pai tinha de ficar na loja), recebera uma carta que muito a animara: os resultados dos NOM’s. Obtivera aprovação máxima em todos os cursos, menos Adivinhação, Runas Antigas e TCM. Seus pais ficaram desapontados com o fato de ela não ter conseguido NOM’s nas matérias que eles haviam se destacado na Escola, mas isso não foi pretexto para que não comemorassem! Como presente, Eléonore ganhou um belo cavalo branco, o qual ficaria nos Montes de Beauxbatons; sua mãe conversou com o professor de Trato de Criaturas Mágicas, que não fez nenhuma objeção em ajudar Eléonore no trato de seu animal, que seria ‘hospedado’ na ilha.

Os anos foram passando normalmente. No fim do sétimo ano, veio a formatura e os últimos exames de nivelamento. Os NIEM’s decidiriam sua vida profissional dali a frente; se a sua felicidade pros anos que se seguiriam dependessem das suas notas em N.I.E.M’s, provavelmente ela teria uma vida tranqüila. Afinal, ter ótimo em Feitiços, DCAT, Poções, Ilusões e Transformações era bastante razoável. Seu namorado também fora super bem, o que a fez lhe dar um presente que lhe rendera a economia de todo um ano em mesadas: uma vassoura, novinha, último modelo. Em troca, ela recebera algumas flores e uma caixinha simples de bombons; revoltante, para as amigas. Mas a pobre Eléonore não percebia que só havia uma pessoa empolgada com o namoro: ela.

Logo que formara, Eléonore Beauchamp foi aceita na Academia Clássica de Feitiços. Lá, iria aprofundar-se na matéria que mais gostara durante o período escolar e depois teria a oportunidade de trabalhar com ela. Quem sabe até, lecionando em Beauxbatons. Porque não? Foram dois bons anos; a conquista de novos amigos, alguns até inseparáveis, foi marcante na vida da garota. Só podia ver Zacharie na raras férias ou folguinhas prolongadas em não estava desenvolvendo complicadas essências para feitiços. Aliás, o desenvolvimento da famosa quinta essência mágica deve-se a Eléonore! Isso possibilitou inclusive a criação de feitiços de conjuração de elementais e a elaboração do princípio da reaparição.

Quando acabou o curso, Eléonore recusou algumas propostas de emprego no exterior para voltar àBeauxbatons e rever seus já idosos pais. Saudades de casa, da escola, da Noble ressuscitaram. Nos últimos meses, ela só se comunicava com Zacharie por meio de cartas. Enquanto as dela eram extensas, as dele curtíssimas e básicas. No jornal, saiu uma notícia de que piratas bruxos, ridiculamente nomeados Terríveis Feiticeiros, estavam a atacar as ilhas e litoral Francês. Eléonore identificou dentre os recém-presos vários colegas de casa de Zacharie... ainda bem que seu namorado não estava no meio deles. Ou, pelo menos assim, ela achava.

As saudades da Escola fizeram Eléonore candidatar-se ao cargo de professora de Feitiços deBeauxbatons. Como era de se esperar, a talentosa garota (que agora já estava mais para mulher) fora instantaneamente aceita para a vaga. Sua mãe, que ainda lecionava na escola, ficara felicíssima de saber que trabalharia ao lado da filha e finalmente a teria por perto outra vez. Seu pai, com a inegável mania de comemoração, quis jantar muito bem naquela noite. Para isso, os três dirigiram-se ao recém-aberto Cafofo, em busca de um pouco de descontração e na tentativa de matar imensas saudades. Eléonore sentia-se quase completa... só faltava Zacharie ali.

Entretanto, algo conspirara para que naquele dia, tudo desse errado. Enquanto comiam, um grande estrondo pôde ser ouvido do lado de fora do pub. Em uma fração de segundos, o Cafofo estava tomado por feiticeiros mascarados, todos rendendo os clientes e a balconista. Entretanto, Eléonore foi mais rápida: alguns poucos meneios com a varinha foram suficientes para colocar todos aqueles homens no chão, e bem amarrados. Eléonore mandou os pais para dentro do Castelo, para que pudessem avisar o diretor. Enquanto ela foi em direção à praia, onde estava ancorado um grande navio e saqueadores mascarados não paravam de entrar e sair. Provavelmente queriam tomar a Ilha de Beauxbatons.

Mas enquanto Eléonore aproximava-se sorrateiramente, viu um rosto conhecido descendo do navio. Alguém que devia ter esquecido de colocar a máscara. Alguém que ela conhecia muito bem, só não soube quem era no momento porque já estava escuro suficiente. Escondeu-se atrás de uma árvore e viu o homem subir a bordo do navio. Atrás dele, dois homens levavam seu pai e sua mãe para dentro da embarcação, como reféns. Eléonore correu para dentro do barco, enfeitiçando todos que tentavam impedi-la de entrar. Até que ela finalmente achou os pais... e alguém que ela nunca sonhara encontrar.

O rosto conhecido que ela vira era de Zacharie. Ele estava torturando os pais de E. Beauchamp e a próxima vítima seria a própria namorada. Pior, ele fazia parte daquele grupo nomeado “Terríveis Feiticeiros”, pretendia saquear a Ilha de Beauxbatons, a Escola de Magia Francesa! E se Eléonore tivesse um pouco de gratidão por aquele lugar, que fora realmente sua casa, ela não podia deixar que nada daquilo acontecesse. Só agora, tudo vinha à tona... ele realmente não prestava! Nunca prestara. Ela não podia acreditar em quanto tempo demorara a perceber isso. Ela desafiou-o; ele tampouco sentiu-se intimidado. Mesmo que com medo da poderosa feiticeira que ela havia se tornado, ele ergueu sua varinha. Ela queria naquela hora, enfeitiçá-lo, despedaçá-lo... mas não conseguia. Por uma razão muito absurda, ela não conseguia nem ao menos lhe fazer mal, mesmo com todas as coisas que ele já havia aprontado para com ela. Pela última vez, ele perguntou se ela continuaria o atrapalhando. Ela manteve-se firme, apesar de tudo. Cruel e friamente, ele lançou um feitiço mortal no peito da própria namorada.

O corpo de Eléonore bateu duro no chão, ao lado dos pais, que, poucos minutos depois, também foram mortos. Beauxbatons conseguiria livrar-se da invasão semanas depois com a ajuda do esquadrão de execução das leis de magia, do Ministério. A morte dos Beauchamp fora velada nos terrenos da escola. Misteriosamente, Eléonore transformou-se numa fantasma, que passou a habitar o Salão Comunal da Noble. O diretor, que pouco tempo antes, havia lhe contratado como professora (cargo que ela mal chegara a exercer), nomeou-a Fantasma Oficial da Noble.

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